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Notícias29 de agosto de 20265 min de leitura
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IPCA-15 recua 0,40% em agosto com queda de luz e combustíveis

Energia elétrica, passagens aéreas e alimentos mais baratos levaram a prévia da inflação ao menor nível em meses, aponta IBGE
IPCA-15 recua 0,40% em agosto com queda de luz e combustíveis

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que funciona como prévia da inflação oficial, caiu 0,40% em agosto de 2026, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira, 26 de agosto de 2026. O resultado foi puxado pela queda na conta de luz, nos combustíveis e nos alimentos.

Com a deflação, o índice acumula alta de 3,09% no ano e de 4,24% em 12 meses, taxa menor que os 4,52% do período anterior, segundo o IBGE. Em julho, o indicador havia subido 0,06%, e em agosto de 2025 já havia registrado queda, de 0,14%.

O resultado ficou abaixo das projeções do mercado. Segundo o BM&C News, a mediana das estimativas apontava recuo de 0,30%, enquanto o Alagoas 24 Horas citou o economista Bruno Perri, da Forum Investimentos, para quem as previsões variavam entre alta de 0,25% e queda de 0,30%.

Conta de luz lidera queda em habitação

O grupo Habitação recuou 1,41% no mês e foi o que mais retirou pontos do índice geral, com impacto negativo de 0,22 ponto percentual, de acordo com o IBGE. A energia elétrica residencial caiu 6,25%, sozinha responsável por 0,26 ponto percentual de queda.

A redução decorreu da inclusão do Bônus de Itaipu nas faturas emitidas em agosto, apontaram as quatro fontes consultadas. Ainda assim, a bandeira tarifária amarela permaneceu em vigor no período, adicionando R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.

O cálculo também levou em conta reajustes tarifários já aplicados em algumas capitais. Segundo o BPMoney, a energia elétrica caiu 4,83% em Curitiba, 8,93% em Porto Alegre e 3,88% em São Paulo. Outros itens do grupo, como água e esgoto e gás encanado, tiveram alta de 0,34% e 0,81%, respectivamente.

Passagens aéreas e combustíveis recuam

O grupo Transportes passou de alta de 0,11% em julho para queda de 1% em agosto. As passagens aéreas caíram 13,30% e os combustíveis, em média, 1,43%, segundo o IBGE.

Entre os combustíveis, o etanol teve a maior queda, de 3,63%, seguido pela gasolina, com recuo de 1,23%, e pelo óleo diesel, que caiu 0,71%. O gás veicular foi na direção contrária e subiu 1,42%. As tarifas de táxi também avançaram, 0,20%, influenciadas por reajuste de 8,42% em Belo Horizonte a partir de 8 de agosto.

Alimentos em casa ficam mais baratos

O grupo Alimentação e bebidas caiu 0,57% no mês, com a alimentação no domicílio recuando 0,97%. O tomate liderou as quedas, com baixa de 27,38%, seguido pela batata-inglesa, com 25,14%, e pela cenoura, com 17,05%, segundo o IBGE.

Ao Alagoas 24 Horas, o economista Bruno Perri destacou o recuo nos preços de alimentos consumidos em casa como o principal ponto positivo do resultado. "O destaque mesmo vem para alimentação no domicílio. É um alívio bem legal, teve alguns itens importantes na mesa do Brasil que tiveram recuo importante, por exemplo, feijão carioca caiu mais de 2%", afirmou o economista, segundo o veículo.

Nem tudo caiu de preço na mesa do brasileiro. O leite longa vida subiu 3,41% e as frutas avançaram 3,11%. Já a alimentação fora de casa desacelerou, com alta de 0,42% em agosto, ante 0,55% em julho, puxada por lanches mais caros.

Cigarro, planos de saúde e cursos sobem

Apesar da deflação geral, quatro grupos registraram alta em agosto. Despesas pessoais teve a maior variação positiva, de 0,66%, reflexo do reajuste de 5,56% no preço do cigarro, em vigor desde 1º de agosto, segundo o IBGE.

Educação subiu 0,46%, com destaque para os cursos regulares, que avançaram 0,52%, puxados pelo ensino fundamental (0,58%) e pelo ensino superior (0,49%). Cursos de idiomas tiveram o maior salto entre os cursos diversos, de 0,92%.

Saúde e cuidados pessoais avançou 0,40%, com os planos de saúde subindo 0,42% no cálculo, resultado que incorpora reajustes autorizados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Para planos individuais e familiares firmados após a Lei nº 9.656/98, o teto de reajuste chega a 5,11%, aplicável entre maio de 2026 e abril de 2027.

Todas as regiões pesquisadas tiveram queda

As 11 áreas cobertas pelo levantamento do IBGE registraram variação negativa em agosto. Curitiba teve a maior queda, de 0,82%, puxada pelo recuo das passagens aéreas e da energia elétrica residencial na cidade, segundo o BM&C News.

São Paulo, região de maior peso no índice nacional, teve a menor queda entre as áreas pesquisadas, de 0,06%. Segundo o BPMoney, altas no preço do leite longa vida e no conserto de automóveis limitaram o recuo na capital paulista.

O que muda a partir daqui

O resultado do IPCA-15 chega antes da próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para os dias 15 e 16 de setembro de 2026, quando o Banco Central decide o rumo da Selic, hoje em 14% ao ano. Segundo o BM&C News, a desaceleração da inflação entra no conjunto de indicadores observados pela autoridade monetária, mas não determina isoladamente a decisão sobre os juros.

Para o consumidor, a queda nos preços de itens do dia a dia, como energia elétrica, combustíveis e alimentos básicos, tende a aliviar o orçamento das famílias no curto prazo, ainda que despesas como planos de saúde e cigarro continuem em alta. O próximo dado do IPCA-15 será divulgado em 25 de setembro, e o resultado oficial do IPCA de agosto ainda depende de confirmação pelo IBGE.

Fontes consultadas

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