março 20, 2026
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Dólar sobe com tensões no Oriente Médio e juros

O dólar fechou em queda de 0,49%, cotado a R$ 5,217, nesta quinta-feira, 19 de março. O pregão foi marcado por volatilidade, com o mercado acompanhando decisões de juros do Copom e do Federal Reserve, além do preço do petróleo.

O comportamento da moeda norte-americana seguiu o do exterior, onde o índice DXY, que mede a força do dólar, recuou 1,08%. O movimento da tarde foi diferente do observado pela manhã, quando a moeda chegou a R$ 5,313, em alta de 1,34%, em meio a uma aversão global ao risco.

A Bolsa de Valores encerrou o dia em alta de 0,35%, aos 180.270 pontos.

O pregão foi influenciado por novos capítulos do conflito no Oriente Médio. Na madrugada, o Irã respondeu a ataques com bombardeios a instalações de energia em países da região.

Essa escalada impactou o petróleo, que ultrapassou seu maior nível em mais de uma semana, chegando a US$ 119 por barril. Ao longo do dia, porém, a cotação do Brent, referência global, perdeu força e encerrou a US$ 108,65, com um avanço de 1,18%.

Declarações de um funcionário da Casa Branca, que disse que os EUA não consideram uma proibição de exportação de petróleo, influenciaram a mudança. A informação de que Israel ajuda os EUA a retomar navegações pelo estreito de Hormuz também acalmou o mercado.

Para Bruno Botelho, da ONE Investimentos, o dia teve um movimento típico de ajuste após um choque externo. A disparada inicial veio com a piora do cenário internacional, principalmente pela escalada das tensões, e as decisões de juros reduziram o diferencial entre as taxas.

Segundo ele, o movimento perdeu força ao longo do pregão. O quadro reforça um ambiente de elevada volatilidade, com o câmbio reagindo a eventos externos, mas ainda encontrando suporte nos juros elevados e no fluxo doméstico.

A instabilidade global se refletiu nos juros futuros, que chegaram a disparar, mas recuaram posteriormente. As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) subiam em bloco.

Às 17h, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,63%, com queda de 10 pontos-base. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 13,84%, com queda de 6 pontos-base.

O mercado de juros futuros segue pressionado porque a alta recente do petróleo pode reacender a inflação no Brasil. Isso pode levar o Copom a manter os juros elevados por mais tempo.

Na decisão da última quarta-feira, o colegiado do Banco Central reduziu a Selic para 14,75% ao ano. Foi a primeira queda sob a gestão de Gabriel Galípolo.

O comitê não antecipou seus passos futuros e deixou a próxima decisão em aberto, citando “forte aumento da incerteza”. Evitou palavras como “redução” e optou por mencionar um ciclo de “calibração” da política de juros. A ideia é ter mais clareza sobre o conflito no Oriente Médio antes de definir novos movimentos.

Às vésperas do encontro, cresceu no mercado a aposta de uma redução menor de juros no primeiro movimento, de 0,25 ponto percentual, diante da disparada do petróleo. Antes da escalada do conflito, o consenso era de corte de 0,5 ponto.

No exterior, o conflito também foi mencionado pelo Federal Reserve. O banco central dos EUA citou que os desdobramentos na economia do país são “incertos”.

O Fed manteve a taxa de juros na faixa de 3,5% a 3,75%, como esperado. No comunicado, afirmou que não haverá cortes se não houver progresso na inflação, indicando que o processo desinflacionário não está no “ritmo desejado”.

A declaração foi vista como “hawkish” —agressiva na política de juros—, o que minou a atratividade de ativos de risco.

Lucca Bezzon, da StoneX, disse que esse é um fator que pressiona o real. Além disso, apesar de o Copom ter adotado um tom cauteloso, a trajetória de redução de juros no Brasil diminui o diferencial de taxas, piorando o cenário doméstico.

Diante da volatilidade, o Banco Central realizou dois leilões simultâneos —um de dólar à vista e outro de swap cambial reverso—, com oferta de US$ 1 bilhão em cada operação. A medida busca aumentar a liquidez em momentos de estresse.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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