julho 10, 2026
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Correios suspendem reestruturação e buscam R$ 7 bi

Os Correios suspenderam parte do plano de reestruturação da empresa neste mês. A decisão interrompeu o fechamento de agências, a retirada de uma gratificação de R$ 500 para funcionários que atendem ao público e a adoção de um sistema de mapeamento de recursos para entregas. A medida foi tomada após a ameaça de greve por parte dos servidores.

A suspensão ocorre enquanto a direção da estatal, comandada por Emmanoel Rondon, busca um novo empréstimo de R$ 7 bilhões. A empresa tenta reverter os resultados negativos dos últimos anos. Em 2025, os Correios fecharam com prejuízo de R$ 8,5 bilhões. No primeiro trimestre de 2026, o déficit foi de R$ 3,1 bilhões.

Em nota, os Correios afirmaram que a suspensão é temporária. O objetivo é permitir que as entidades representativas dos trabalhadores apontem possíveis distorções na aplicação das medidas. A empresa disse que as demais iniciativas do plano de reestruturação terão continuidade, como a venda de imóveis e outras ações de contenção de despesas.

A suspensão foi proposta em uma carta enviada a sindicalistas, como resposta ao movimento grevista. Os representantes dos trabalhadores haviam indicado uma paralisação na terça-feira passada. Após o aceno da direção, eles recuaram e mantiveram apenas o estado de greve. A categoria pode parar a qualquer momento se houver descumprimento dos termos da negociação.

No documento, ao qual O GLOBO teve acesso, a empresa propõe a suspensão do fechamento de unidades até 31 de julho de 2026. Ficam de fora as unidades já fechadas ou em processo avançado de fechamento. Durante o período, serão avaliados novos fechamentos com análise técnica, institucional e social.

Também foi proposta a suspensão do sistema de dimensionamento de distribuição e a reavaliação de medidas realizadas em junho. A direção se comprometeu a interromper a retirada das remunerações relativas ao Adicional de Atendimento em Guichê e Quebra de Caixa.

Das ações paralisadas, o fechamento de agências é uma das mais relevantes para a recuperação financeira. Das 1.000 unidades que a empresa pretendia reduzir, com economia prevista de R$ 2,1 bilhões, 256 já tiveram suas atividades encerradas.

O novo programa de demissão voluntária (PDV) será voltado exclusivamente para as unidades que serão fechadas, que têm 7 mil funcionários. Na primeira iniciativa de desligamento voluntário deste ano, apenas 3.075 funcionários aderiram, bem abaixo da meta de 10 mil. A economia foi de R$ 700 milhões, contra o objetivo de R$ 1,4 bilhão. Agora, a meta é desligar entre 2 mil e 3 mil pessoas.

Na parte do plano que envolve novas receitas, a empresa vem avançando em parcerias. O plano de reestruturação foi apresentado no ano passado, diante da grave crise financeira, como condição para o Tesouro Nacional autorizar um empréstimo de R$ 12 bilhões para socorrer a estatal.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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