junho 9, 2026
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Crise esvazia Comercial Norte de Taguatinga

Crise esvazia Comercial Norte de Taguatinga

A Avenida Comercial Norte, considerada o coração econômico de Taguatinga, enfrenta um processo de esvaziamento com o fechamento de lojas e placas de “aluga-se” substituindo as antigas vitrines. O fenômeno preocupa moradores e comerciantes da região, uma das mais tradicionais do Distrito Federal.

Para o corretor imobiliário Hélio Eustáquio da Silva, proprietário da Hélio Imóveis, o declínio é resultado de uma combinação de fatores. “Há muitos imóveis desocupados, especialmente em função dos frequentes aumentos de impostos e da mudança de mentalidade das pessoas, que hoje preferem consumir em locais com maior concentração de lojas, como os shopping centers”, afirma.

Segundo o especialista, a grande oferta de espaços ampliou o tempo médio para locação na área para cerca de oito meses. “Como a quantidade de imóveis ofertados é grande, os eventuais interessados encontram muitas opções vazias e ganham maior poder de barganha”, explica. Ele também critica a carga tributária: “O IPTU cobrado pelo governo é exorbitante e não reflete o estado de abandono da avenida”.

A insegurança é outro problema apontado por quem trabalha no local. O comerciário Alisson David, de 30 anos, relata que o movimento caiu bastante. “Sentimos um baque grande até em janeiro e dezembro, que costumam ser meses fortes. E, além de vender menos, a gente ainda sofre com a insegurança. Fechamos a loja às 19 horas e a falta de policiamento preocupa muito”, conta. Ele também menciona relatos de assaltos na região da Avenida Sandu.

O atendente José Pereira, que trabalha em um brechó local, destaca o impacto da população em situação de rua. “Quase todos os dias a gente vê muitos moradores de rua por aqui. Alguns ficam até deitados na porta das lojas. Isso acaba afastando os clientes”, afirma. Apesar das dificuldades, ele diz que a proprietária do brechó não cogita migrar para o atendimento online e cobra ações do GDF para revitalizar a área.

A produtora rural Maria Aparecida Silva, de 56 anos, frequenta a Comercial Norte semanalmente e testemunha o declínio. “Antigamente, essa comercial tinha de tudo, mas hoje a realidade é outra. O que falta de verdade é o policiamento e a segurança pública”, avalia. O motorista de aplicativo Anderson Fábio dos Santos, de 37 anos, acrescenta que o movimento das lojas despencou e que o preço dos aluguéis está “sufocante”.

Procurada, a Administração Regional de Taguatinga informou que não tem um mapeamento com o número exato de estabelecimentos fechados. O administrador da região alega que o esvaziamento reflete uma mudança estrutural iniciada na pandemia, com a migração de lojistas para o comércio eletrônico e para shoppings e centros empresariais, como o Taguatinga Shopping e o JK Shopping. Como resposta, a Administração aposta em um projeto de política de ocupação que tramita na Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh), focado na revitalização estrutural da Comercial Norte e Sul, além da Samdu Sul e Samdu Norte.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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