Os motores esfriaram e o paddock está vazio. A Fórmula 1 de 2026 teve os Grandes Prêmios do Bahrein e da Arábia Saudita suspensos devido à guerra que envolve Estados Unidos, Israel e Irã. A competição ficará paralisada por um mês.
Não é a primeira vez que um conflito na região afeta a categoria. Em março de 2022, durante treinos em Jeddah, uma instalação petrolífera da Saudi Aramco foi atingida por um míssil. Uma coluna de fumaça era visível do autódromo. Após uma reunião, as atividades daquele fim de semana foram mantidas.
A decisão foi diferente da tomada no GP do Bahrein em 2011. Na época, o país vivia protestos violentos da Primavera Árabe. A etapa da Fórmula 1 naquele ano foi cancelada.
Quinze anos depois, a falta de segurança em momentos de tensão ainda é um problema para eventos esportivos na região. Antes da suspensão deste mês, a Arábia Saudita chegou a oferecer um sistema antimísseis, mas a proposta não convenceu a Federação Internacional de Automobilismo.
Com a guerra e a suspensão de eventos, há uma tendência de que pessoas evitem viajar para a região. Ricardo Ricci Uvinha, professor de Lazer e Turismo na USP, explica que turistas já pensam duas vezes antes de viajar. Ele cita que destinos como Líbano, Jordânia, Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes e Catar são influenciados, até a médio e longo prazo.
No curto prazo, o setor aéreo já sente o impacto. As companhias vivem a pior crise desde a pandemia, com mais de 37 mil voos cancelados e uma perda de mais de 50 bilhões de dólares em valor de mercado.
Fora das pistas, a guerra causa mortes e destruição. Dentro dos circuitos, a paralisação impede a evolução dos carros em um ano de novas regras. O jornalista André Netto acredita que 2026 seria a última opção para uma paralisação, pois é um período de aprendizado para os novos carros e sistemas.
As tensões geopolíticas sempre impactaram a Fórmula 1. Nos primeiros anos, a Crise de Suez afetou a logística global. Em 1957, os GPs da Espanha, França, Bélgica e Holanda foram cancelados por racionamento de combustível e custos altos.
Em 1985, o boicote ao Apartheid na África do Sul impactou a competição. Equipes francesas se recusaram a viajar ao país e algumas marcas não quiseram ser expostas durante a etapa.
Mais recentemente, em 2022, a Rússia se tornou alvo de sanções após a invasão à Ucrânia. O GP em Sochi foi cancelado e o contrato com o país foi rompido. A equipe Haas dispensou o piloto russo Nikita Mazepin e rescindiu contrato com seu patrocinador principal.
A Fórmula 1 de 2026 retorna no fim de semana do dia primeiro de maio, com o GP de Miami, nos Estados Unidos. A guerra que envolve EUA, Israel e Irã, em meio a negociações travadas, ainda não tem data para acabar.
