julho 26, 2026
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Incêndio na França força evacuação de paraíso turístico Cap Ferret

Incêndio na França força evacuação de paraíso turístico Cap Ferret

A turística península de Cap Ferret, no sudoeste da França, tornou-se zona de catástrofe devido a um incêndio que forçou a retirada de milhares de pessoas. O local é um destino de férias apreciado por atores como Marion Cotillard e Jean Dujardin.

“É um desastre, é horrível”, disse Jean Gonçalves à AFP na manhã desta sexta-feira (24), com uma camiseta amarrada na cabeça. O homem de 54 anos, morador de Lège-Cap-Ferret há 30 anos, fugiu após ver a casa de madeira do vizinho pegar fogo.

As ruas ficaram desertas, com persianas fechadas e casas trancadas, enquanto as chamas expulsavam moradores e turistas em plena alta temporada de verão. “Não há viva alma”, afirmou Cécile Maumy no terminal de balsas de Cap Ferret. “Parece a época da covid. É impressionante”.

O fogo começou na quarta-feira no povoado de Saumos, perto dos vinhedos de Médoc, e avançou rapidamente por pinheirais até a península. A França enfrentou três ondas de calor extremo desde maio, ligadas às mudanças climáticas, que causaram mortes, secaram rios e alimentaram incêndios.

Cap Ferret, destino turístico da costa atlântica frequentado por famílias abastadas, é conhecido por suas dunas e casas de ostras. Moradores descrevem cenas de “zona de guerra”. A prefeita regional, Sophie Brocas, alertou para um “mega-incêndio XXL, imprevisível e voraz”.

Não houve vítimas fatais, mas mais de 50 residências e um camping foram destruídos. Diante do avanço das chamas, a evacuação da península foi ordenada. A maioria saiu de carro por uma única rodovia, enquanto centenas foram levadas de barco, em um plano de evacuação criado após os incêndios de 2022.

“Tudo foi gerenciado sem problemas”, disse David Lafforgue, comerciante local. “As malas estavam prontas e as pessoas permaneceram calmas”. Lafforgue, no entanto, teme o impacto econômico. “De 20 de julho a 20 de agosto é o pico da temporada. Não sabemos se nossos trabalhadores temporários vão voltar, nem se nossos clientes retornarão”.

Algumas pessoas foram levadas para Andernos. Maria Lalanne, moradora de 90 anos de Lège-Cap-Ferret, estava em choque. Ela deixou o aparelho auditivo e os óculos em casa. “Tenho cardiopatia, problemas de pressão, problemas de visão. Não sei o que aconteceu com minha casa”, disse.

Em Andernos, as autoridades se preparam para uma possível evacuação da própria cidade. “Estamos recebendo pessoas evacuadas em nossos centros de acolhida, e agora nos ordenaram evacuar esses centros também”, afirmou Jean-François Garric, vice-prefeito.

Julie Boisvert estava em Le Porge quando sua família foi forçada a partir, sentindo-se “cercada” pelo fogo. “Os gendarmes bateram em todas as portas”, contou. Ela saiu de carro com os dois filhos, de cinco e dois anos. “Já tínhamos as malas prontas, mas só nos deram dois minutos”.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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