abril 6, 2026
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STF e PGR preveem dilema com delação Vorcaro

O STF (Supremo Tribunal Federal) e a PGR (Procuradoria-Geral da República) preveem enfrentar um dilema caso a delação premiada do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, prospere e atinja os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.

Autoridades avaliam que essa possibilidade será um desafio para a atuação do relator da investigação, André Mendonça, e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que têm relações cordiais com os dois ministros.

Interlocutores de Mendonça e Gonet afirmam que a situação deve exigir dos dois um ponto de equilíbrio entre agir com prudência e levar a investigação adiante se houver evidências contra os ministros.

Mendonça tem dito a pessoas próximas que a investigação não pode servir para prejulgamentos, mas que, se as provas demonstrarem o envolvimento real de seus colegas, ele vai seguir em frente com seriedade.

Segundo relatos, ele considera que a opinião pública exige respostas sobre as fraudes do Master e, havendo evidências concretas, não aceitará que Toffoli e Moraes se livrem das consequências por coleguismo.

O argumento sobre a expectativa da sociedade foi usado por Mendonça no caso dos desvios do INSS, mas não é bem aceito por uma ala do tribunal. Esse grupo prega cautela para que excessos da Operação Lava Jato não se repitam.

Um ministro disse que Mendonça deveria ter cuidado para não supervalorizar informações que não sejam objetivamente criminosas, sob risco de minar a confiança no Judiciário.

Em etapas iniciais das negociações, advogados de Vorcaro chegaram a sugerir que ministros do Supremo não fossem mencionados. A ideia foi rechaçada porque não se pode dar ao delator o poder de selecionar quem entregar.

Para que a delação seja homologada, Vorcaro terá de apresentar provas inéditas e indicar a possibilidade de recuperação dos valores fraudados. Os termos do acordo estão sendo negociados pela PGR e pela PF (Polícia Federal).

Mendonça foi um dos defensores de Toffoli em uma reunião secreta em fevereiro para debater um relatório com menções ao colega. Ele considerou que os fatos apresentados até ali não eram suficientes para considerar o magistrado suspeito.

O episódio provocou uma indisposição do tribunal com a cúpula da PF. Os ministros entenderam que o órgão se excedeu e realizou uma investigação sem supervisão do Supremo, o que seria irregular.

Uma autoridade próxima a Gonet avalia que, tecnicamente, não se pode aceitar um acordo “pela metade”. Ao mesmo tempo, admite que eventuais citações a Toffoli e Moraes colocariam o procurador-geral em uma situação delicada.

As menções a Toffoli e Moraes no celular de Vorcaro, apreendido na Operação Compliance Zero, estão no centro da crise de imagem vivida pelo tribunal. O presidente do STF, Edson Fachin, segue em um fogo cruzado sobre como lidar com os desgastes.

As mensagens envolvendo Toffoli apontam para pagamentos feitos à empresa Maridt, que tem o ministro entre os sócios. A Maridt vendeu participação no resort Tayayá, no Paraná, a um fundo usado nas fraudes do Master. O magistrado diz que a transação foi declarada e nega ser amigo ou ter recebido dinheiro de Vorcaro.

Em relação a Moraes, pesa o contrato de R$ 129 milhões que o escritório de sua mulher, a advogada Viviane Barci, firmou com o Master. O ministro também teria trocado mensagens com Vorcaro no dia da prisão do empresário, o que ele nega.

Documentos obtidos apontam ainda para oito viagens feitas por Moraes e Viviane em jatos executivos de empresas de Vorcaro entre maio e outubro de 2025. O gabinete do ministro afirmou que ele nunca viajou em avião de Vorcaro ou em sua companhia.

Outro ministro atingido pelo caso Master é Kassio Nunes Marques. Documentos indicam que ele viajou em um avião da Prime Aviation, empresa que tinha Vorcaro como sócio, de Brasília para Maceió, em novembro.

A viagem foi organizada e paga pela advogada Camilla Ewerton Ramos, de acordo com o próprio ministro. Ela atua para o banco.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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