O governo da China afirmou nesta segunda-feira (11) que deseja trabalhar com os Estados Unidos para trazer mais “estabilidade” às relações internacionais. A declaração ocorre antes da chegada do presidente americano, Donald Trump, ao país para uma cúpula de três dias com o líder chinês, Xi Jinping.
A visita está marcada entre quarta e sexta-feira. Inicialmente, o encontro estava previsto para o final de março, mas foi adiado por causa da guerra no Oriente Médio.
Esta será a primeira visita de um presidente dos Estados Unidos à China desde 2017, durante o primeiro mandato de Trump. Seu sucessor, Joe Biden, não viajou ao país asiático em seus quatro anos de governo.
As relações comerciais devem dominar as negociações. Nos últimos meses, os dois países se envolveram em uma série de confrontos com tarifas e restrições.
Antes da cúpula entre Xi e Trump, negociadores dos dois lados devem se reunir em Seul. O vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, e o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, participarão do encontro.
Em outubro, Xi e Trump concordaram com uma trégua temporária na guerra comercial. A expectativa é que o acordo possa ser estendido durante a visita.
Outro tema da cúpula será a crise no Oriente Médio. O conflito foi desencadeado por um ataque de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã em 28 de fevereiro.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, disse que Pequim quer trabalhar com os EUA “em pé de igualdade” para “trazer mais estabilidade e segurança a um mundo instável”.
A China é diretamente afetada pela guerra. O fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do gás e petróleo do mundo, impacta o país.
Segundo a porta-voz adjunta do governo americano, Anna Kelly, Trump chega à China na noite de quarta-feira. Na quinta, haverá uma cerimônia de boas-vindas e uma reunião bilateral com Xi em Pequim. À tarde, o presidente americano visitará o Templo do Céu e, à noite, participará de um banquete de Estado. Na sexta, os dois líderes terão um chá bilateral e um almoço de trabalho antes do retorno de Trump a Washington.
A China é a principal importadora de petróleo do Irã. Mais da metade do petróleo que o país compra por via marítima vem do Oriente Médio e passa pelo Estreito de Gibraltar, segundo a empresa de pesquisa Kpler.
Especialistas apontam que Xi Jinping chega à cúpula em posição de força. Trump, por outro lado, está envolvido no conflito do Oriente Médio e enfrenta pressão das eleições de meio de mandato nos EUA, em novembro.
Desde o início da guerra, Pequim moderou suas críticas aos EUA e seu apoio ao Irã. Guo Jiakun disse que a China continuará a ter um papel “positivo” na resolução da crise.
Na sexta-feira, o Departamento de Estado dos EUA anunciou sanções contra três empresas na China acusadas de fornecer imagens de satélite ao Irã. Guo Jiakun afirmou que a China se opõe a “sanções unilaterais ilegais” e que “o mais urgente é impedir a retomada do conflito”.
O Departamento do Tesouro dos EUA também sancionou empresas na China continental e em Hong Kong por suposta contribuição ao fornecimento de armas ao Irã. Analistas dizem que Pequim não deve ceder à pressão americana sobre o Irã e deve buscar conquistas concretas, mesmo que pequenas, em relação às tarifas.
