agosto 10, 2026
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Eleições no DF: seis candidatos disputam o Buriti

Eleições no DF: seis candidatos disputam o Buriti

Com o fim do prazo para as convenções partidárias, o Distrito Federal tem o cenário eleitoral definido para a disputa ao governo. Seis candidatos foram lançados pelas principais siglas. Entre os nomes de destaque estão a governadora Celina Leão (PP) e o ex-governador José Roberto Arruda (PSD). No campo progressista, o PT lançou Leandro Grass e o PSB aposta em Ricardo Cappelli. A centro-direita também tem representantes na disputa pelo Palácio do Buriti: a deputada distrital Paula Belmonte (PSDB) e Kiko Caputo (Novo).

Apesar das candidaturas registradas, a disputa ainda não está totalmente definida e há fatores que podem mudar o cenário até outubro. A crise do Banco Regional de Brasília (BRB), os problemas jurídicos de alguns candidatos e a divisão no campo progressista são pontos que devem influenciar a percepção do eleitorado nos próximos meses.

Celina aparece bem nas pesquisas e começa a corrida com vantagem por já ocupar o cargo. Ela tem maior visibilidade, pode apresentar as realizações de sua gestão e conta com o apoio da estrutura política construída por Ibaneis Rocha (MDB). Por outro lado, a governadora herdou o desgaste da administração, principalmente em relação à crise do BRB.

Arruda entra na disputa com capital eleitoral expressivo e identidade política consolidada. A candidatura se apresenta como alternativa no campo conservador e pode ser um dos principais concorrentes de Celina, evitando que ela concentre todos os votos da direita e centro-direita. O ex-governador, no entanto, enfrenta uma situação jurídica delicada que pode ser decisiva.

No campo progressista, há um racha. O PT lançou Grass, que aparece como o nome mais competitivo da esquerda, mas ele enfrenta a concorrência de Cappelli. Caputo e Belmonte, mais ligados ao centro, se apresentam como alternativas à polarização.

Crise no BRB

O BRB enfrenta uma crise financeira após a revelação de fraudes investigadas pela Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. As investigações apontam irregularidades em operações com o Banco Master, com prejuízo estimado em cerca de R$ 12 bilhões. O banco ainda não divulgou os balanços financeiros de 2025, documentos necessários para avaliar o rombo.

O prazo para a divulgação do balanço venceu em 31 de março. O BRB informou que o fechamento das demonstrações dependia da conclusão de auditorias e de tratativas com reguladores. Para recuperar o banco, Celina fechou um acordo no Supremo Tribunal Federal (STF) que prevê uma operação de crédito de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O acordo, porém, ainda não teve resultados efetivos e não há previsão para os recursos entrarem no caixa da instituição.

Para o mestre em Ciências Políticas Prof. Dr. Gustavo Javier Castro, a situação do banco deve ser tema central nas campanhas. Caso o acordo não seja concretizado antes das eleições, Celina terá que explicar por que uma solução anunciada e homologada ainda não produziu resultados. Isso pode enfraquecer o argumento de continuidade administrativa e capacidade de gestão.

Uma possível liquidação traria consequências graves. “O BRB não é percebido apenas como uma instituição financeira, mas como um patrimônio econômico e simbólico do Distrito Federal. Uma crise extrema poderia produzir insegurança entre clientes, servidores, empresários e contribuintes”, explica Castro.

O cientista político afirma que seria plausível uma queda nas intenções de voto de Celina, mas o impacto depende de fatores como a proximidade do episódio com a eleição, a existência de perdas para correntistas e a capacidade da oposição de transformar a crise em desgaste político. “Uma atuação transparente poderia limitar os danos. Uma postura defensiva tenderia a ampliar o desgaste. A crise do BRB é o principal ponto de vulnerabilidade da candidatura dela”, argumenta.

Arruda e a Ficha Limpa

Arruda estava inelegível desde 2014 por um processo de improbidade administrativa ligado à Operação Caixa de Pandora, de 2009. Com as mudanças na Lei da Ficha Limpa, o teto de inelegibilidade para condenações em múltiplos processos passou a ser de oito anos a partir da condenação em segundo grau, o que pode ter reduzido o período da punição.

O STF analisa os casos dos políticos enquadrados na nova norma. O julgamento está suspenso após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. A relatora, ministra Cármen Lúcia, e o ministro Luiz Fux votaram pela inconstitucionalidade de dispositivos centrais da reforma. A legislação atual favorece a interpretação de que Arruda recuperou a elegibilidade, mas uma decisão contrária da Corte pode comprometer a candidatura.

Para Castro, a retirada de Arruda mudaria o cenário político. “Ele representa uma parcela relevante do eleitorado conservador e reúne votos ligados à memória de suas administrações”, avalia. A principal beneficiária seria Celina, pois parte dos eleitores de Arruda poderia migrar para ela por proximidade ideológica. Essa transferência, porém, não seria automática. Parte dos eleitores pode interpretar a exclusão como injusta e adotar postura de protesto.

Racha na esquerda

A manutenção das candidaturas de Grass e Cappelli mostra a dificuldade de unidade na esquerda do DF. Os dois disputam o mesmo perfil de eleitorado e tentam vincular suas campanhas ao projeto nacional de centro-esquerda, mas partem de posições eleitorais diferentes.

A divisão apresenta riscos. O principal é impedir que o campo progressista concentre votos para chegar ao segundo turno. Com Celina e Arruda ocupando as primeiras posições, a fragmentação pode fazer com que os candidatos progressistas disputem entre si um eleitorado limitado. Além disso, duas candidaturas significam divisão de recursos, tempo de propaganda e apoios partidários.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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