junho 9, 2026
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Filme de Bolsonaro custa R$ 65,7 mi; Vorcaro bancou 90%

Filme de Bolsonaro custa R$ 65,7 mi; Vorcaro bancou 90%

A produtora GoUp, responsável pelo filme Dark Horse sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, informou que o orçamento já realizado da produção é de cerca de US$ 13 milhões, o equivalente a R$ 65,7 milhões. A informação foi dada pela dona da produtora, Karina Ferreira da Gama, em entrevista à Globonews nesta terça-feira, 19.

Desse total, mais de 90% do custo foi bancado com dinheiro de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, que está preso e é investigado por fraudes bilionárias na instituição. O senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro já admitiu ter recebido de Vorcaro mais de US$ 12 milhões (cerca de R$ 60,6 milhões) para “patrocinar” o filme, valor que corresponde a aproximadamente 92% do orçamento atual.

Na semana passada, o site Intercept Brasil divulgou mensagens de texto e áudio entre Flávio e o dono do Banco Master. Nos diálogos, o senador cobra dinheiro de Vorcaro para bancar a produção do longa sobre a vida do pai.

Na entrevista, Karina afirmou que, depois da prisão de Vorcaro, os responsáveis pelo filme tiveram que buscar novos investidores. Segundo ela, Vorcaro atuou como um intermediador de verba para o longa, e não como investidor. Flávio Bolsonaro, por sua vez, cita Vorcaro como investidor e patrocinador do “Dark Horse”.

Karina disse que a GoUp não recebeu recursos diretamente de Vorcaro ou de empresas ligadas a ele, mas sim do fundo Heavengate. Esse fundo fica no Texas, nos Estados Unidos, e é administrado por aliados do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio.

A Polícia Federal investiga se o dinheiro repassado por Vorcaro estaria sendo usado para custear Eduardo, que vive nos Estados Unidos em exílio auto-imposto desde o início de 2025 e teve seus bens e contas bloqueados pelo Supremo Tribunal Federal. Flávio nega que a verba seja usada para outros fins.

Antes da divulgação dos áudios, Flávio disse ser “mentira” que o filme teve financiamento de Vorcaro. Após a reportagem do Intercept Brasil, ele mudou a versão e admitiu os pagamentos, mas nega irregularidades, afirmando se tratar de um “patrocínio” ou “investimento”.

Segundo informações publicadas pelo site e confirmadas pelo Estadão, houve uma negociação para que Vorcaro desse uma contribuição de US$ 24 milhões (R$ 121,2 milhões), valor que consta em documentos da investigação da PF sobre o caso Master. Os valores repassados para o filme superam o orçamento de produções brasileiras como “Ainda Estou Aqui” (R$ 45 milhões) e “O Agente Secreto” (R$ 28 milhões).

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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