Uma investigação da Polícia Civil de São Paulo aponta que o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada comandava uma rede de lavagem de dinheiro ligada ao tráfico de drogas. A estrutura empresarial dele também estaria conectada a esquemas de fraude do INSS e à operação Carbono Oculto, que investigou a infiltração do PCC no setor de combustíveis.
O caso, chamado de Operação Saturno, foi enviado à Justiça Federal em maio. O motivo foi a “possível conexão probatória com investigações federais já em andamento”. As informações foram repassadas à Polícia Federal.
Na última sexta-feira, a PF prendeu Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, secretária de Shimada. O empresário está foragido. A defesa de Shimada informou que deve se pronunciar posteriormente. Dois dias antes da operação, ambos foram alvo de sanções do governo dos Estados Unidos por suposta lavagem de dinheiro do PCC.
A apuração começou em 2024 com a prisão de Alexsandro Freitas Faria, o “Leko”. Com ele, a polícia apreendeu cerca de R$ 100 mil em espécie e outros itens ligados ao tráfico. A perícia no celular do suspeito revelou uma rede de lavagem de dinheiro com transações entre pessoas físicas e jurídicas.
O nome de Shimada apareceu após o cruzamento de dados do celular de Leko com outras investigações. A primeira ligação envolveu a Wave Intermediações, alvo de uma operação do Gaeco sobre desvios no patrocínio da VaideBet ao Corinthians.
Shimada foi ligado ao comando da Wave Intermediações, registrada em nome de terceiros. A empresa foi conectada à Victory Trading, fundada por ele em 2021. Em novembro de 2023, a Victory se tornou sociedade limitada e aumentou seu capital social de R$ 110 mil para R$ 30 milhões. Entre novembro de 2023 e março de 2024, a empresa recebeu R$ 25 milhões da Wave Intermediações.
O relatório final da investigação diz que as empresas de Shimada se conectam a CNPJs envolvidos na fraude do INSS e na Operação Carbono Oculto. A conexão ocorre por meio de contas “bolsão”, usadas para receber valores de diversas atividades criminosas.
O relatório da CPMI do INSS cita a Victory e a Wave Intermediações como parte da rede que recebia recursos desviados de aposentados e pensionistas. A investigação aponta Shimada como parte de um dos núcleos do esquema. Esse grupo tem ligação com outro núcleo que reúne empresas suspeitas de operar recursos da Arpar, ligada a Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”. O proprietário formal da Arpar, Rodrigo Moraes, foi preso em dezembro.
O relatório da Operação Saturno também menciona uma ponte entre esse núcleo e a Wise Tech, que faz parte da teia de empresas investigadas na Carbono Oculto. Investigadores afirmam que há conexão entre a Wise Tech e um empresário envolvido na operação.
