maio 8, 2026
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Lula e Trump: tarifas, guerra e “amor à primeira vista” em reunião

Lula e Trump: tarifas, guerra e “amor à primeira vista” em reunião

Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e dos Estados Unidos, Donald Trump, reuniram-se nesta quinta-feira (7) na Casa Branca. Durante três horas, os chefes de Estado falaram sobre combate ao crime organizado, tarifas, minerais críticos e a relação com as big techs.

A avaliação de ministros presentes foi de que a reunião foi positiva e um sucesso. “Saio satisfeito da reunião. Não tenho assunto proibido. A única coisa que não abrimos mão é da nossa democracia e da nossa soberania. O resto é tudo discutível”, disse Lula em entrevista coletiva na embaixada brasileira depois de deixar a Casa Branca.

Um dos objetivos do governo brasileiro era entregar uma proposta sobre o combate ao crime organizado. O documento, que trata de cooperação em segurança pública e inclui colaboração contra o tráfico de armas e lavagem de dinheiro, foi entregue em inglês a Trump. “Ele disse que ia ler a proposta à noite”, afirmou Lula. O temor de que os EUA designem as facções Comando Vermelho e PCC como terroristas não foi tratado na reunião, segundo o presidente.

Houve divergências entre os dois governos, especialmente sobre tarifas. “O Brasil teve um déficit de US$ 14 bilhões com os Estados Unidos. Então, ele sempre acha que nós cobramos muito imposto. A média do imposto que nós cobramos é 2,7%”, disse Lula, contestando o argumento de Trump. Diante do impasse, Lula propôs a criação de um grupo de trabalho para apresentar uma proposta em 30 dias. “Quem tiver errado vai ceder”, completou.

Lula afirmou que não considera “boa política” um presidente estrangeiro interferir em eleições de outros países e disse não acreditar em qualquer influência de Trump nas eleições brasileiras. “Não existe nenhuma possibilidade de eu discutir esse assunto com qualquer presidente do mundo”, declarou.

O presidente brasileiro entregou a Trump uma lista com nomes de autoridades brasileiras que estão proibidas de entrar nos EUA, incluindo ministros do STF e a filha de 10 anos do ministro Alexandre Padilha. “Eu entreguei a lista porque eu já tinha entregado a lista uma vez e não foi resolvido o assunto”, afirmou Lula, que mencionou o PL da dosimetria como possível fator para uma mudança.

Sobre minerais críticos, Lula disse que o Brasil não aceitará ser um “mero exportador” e que está aberto a parcerias com vários países. Em relação às big techs, negou que o Brasil esteja proibindo plataformas americanas, mas defendeu a regulamentação soberana do país.

Lula ofereceu-se para mediar conversas sobre Cuba e criticou o bloqueio econômico imposto pelos EUA. Segundo ele, Trump sinalizou que não pensa em invadir a ilha. “É um sinal importante”, afirmou.

Em um momento de descontração, Lula brincou com Trump sobre a Copa do Mundo, pedindo que ele não anule os vistos dos jogadores brasileiros. “Nós vamos vir aqui para ganhar a Copa do Mundo”, disse. Durante o almoço, Trump reclamou que não gosta de laranja na salada e foi visto tirando a fruta do prato. Lula classificou o vínculo com o republicano como uma “relação sincera” e comparou o encontro a “amor à primeira vista”.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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