julho 12, 2026
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Messi na semi, Neymar no pôquer: abismo define a Copa

Messi na semi, Neymar no pôquer: abismo define a Copa

A imagem que define esta Copa do Mundo não está apenas dentro das quatro linhas, mas no abismo de postura entre duas estrelas. De um lado, Lionel Messi conduzindo a Argentina a uma semifinal histórica; de outro, o maior ídolo brasileiro da última década curtindo mesas de pôquer nos Estados Unidos.

É esse contraste incômodo que emoldura o clube exclusivo que se formou no topo do torneio: pela primeira vez na história, teremos quatro campeões mundiais nas semifinais. França e Espanha de um lado, Inglaterra e Argentina do outro. Dois confrontos espetaculares onde o Brasil poderia estar — e só não está por nossa própria incapacidade.

Para entender o tamanho do nosso vazio, basta olhar para a classificação inglesa. A Inglaterra eliminou a dura e fisicamente impositiva seleção da Noruega — um adversário que nos castigou severamente em campo. Diante do mesmo perigo, os ingleses souberam impor autoridade. Não se curvaram ao vigor físico rival; ao contrário, agigantaram-se para buscar uma virada maiúscula sob o comando de Bellingham.

O jovem craque assumiu as rédeas e foi o dono absoluto do jogo. Chamou para si a responsabilidade que o protagonismo exige. E foi exatamente isso que faltou ao Brasil. Enquanto assistíamos a um pragmatismo pobre de 34% de posse de bola na nossa despedida, a Inglaterra mostrava como se comporta um gigante. Poderíamos estar ali, prontos para esse embate, sem alterar o roteiro dos quatro campeões na semifinal. Mas faltou bola, faltou alma.

Sorte, apito e o choro de Infantino

Do outro lado da chave, a Argentina caminha sob uma dinâmica curiosa. Há quem aponte favorecimentos em decisões de arbitragem, e o próprio presidente da Fifa, Gianni Infantino, não faz muita questão de disfarçar o entusiasmo, vibrando na arquibancada como uma criança a cada gol de Messi.

Cenário armado? Longe disso. É ingenuidade acreditar em uma orquestração de bastidores para beneficiar os portenhos; em um torneio desse porte, com árbitros do mundo inteiro, tal comando seria impossível de sustentar. A verdade é que a Argentina conta com uma bela dose de acaso: até agora, não cruzou com nenhum adversário do top 10 do ranking mundial. Se o caminho foi facilitado pelas circunstâncias, eles souberam aproveitar.

O contraste que machuca

O que permanece, no fim das contas, é uma incômoda e imensa dor de cotovelo. É ver o maior campeão de todos os tempos, o único com essa bagagem histórica no peito, assistindo à festa pela televisão.

A ferida arde ainda mais quando confrontamos os espelhos desta geração. De um lado, vemos Lionel Messi, aos 40 anos, carregando a sua seleção nas costas rumo a mais uma semifinal de Copa do Mundo. Do outro, quase no mesmo instante, o nosso maior ídolo da última década escolhe dar adeus aos gramados mundiais enquanto exibe suas fichas em um campeonato de pôquer em Miami. É o retrato perfeito do compromisso de quem faz história contra o descompromisso de quem preferiu o entretenimento.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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