maio 17, 2026
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Nova regra de saúde mental no trabalho gera queixas de empresas

Nova regra de saúde mental no trabalho gera queixas de empresas

Uma norma do governo federal que entra em vigor no dia 26 de maio está gerando preocupação entre entidades empresariais. A regra obriga as empresas a monitorar os riscos à saúde mental dos funcionários. Os empresários alegam falta de clareza na aplicação das regras, risco de judicialização e prejuízo para pequenos negócios.

A medida foi criada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) em 2024. Ela reformula a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que já trata de riscos químicos, físicos e biológicos. Agora, a NR-1 inclui fatores psicossociais. As empresas deverão fazer uma avaliação preliminar das condições de saúde mental dos funcionários e identificar e eliminar riscos psicossociais no ambiente de trabalho.

A norma entraria em vigor no ano passado, mas foi adiada. O ministro Luiz Marinho (Trabalho) afirmou que não pretende adiar novamente a vigência. Auditores-fiscais do trabalho vão avaliar como as empresas estão gerenciando a saúde mental, sem distinção entre pequenas e grandes companhias.

O ministério entende que os riscos psicossociais estão ligados à organização do trabalho e podem causar transtornos como ansiedade, depressão e burnout. Um guia publicado pelo MTE lista fatores de risco, como falta de clareza no papel do funcionário, sobrecarga ou falta de demandas, ausência de recompensas e falta de suporte. As empresas devem mapear e eliminar esses riscos.

Para se adequar, o guia sugere medidas como observação das atividades, realização de oficinas e pesquisas com os funcionários. O descumprimento das regras pode gerar multas de até R$ 6.935, em casos de reincidência ou resistência à fiscalização.

Empresas e entidades setoriais protestaram contra a mudança, o que levou ao adiamento anterior. O MTE publicou um guia, um manual e criou uma comissão para debater o tema. Mesmo assim, as companhias afirmam que a norma ainda carece de esclarecimentos sobre a aplicação e a metodologia.

Em março, a Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenen) entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para questionar a medida. O relator é o ministro André Mendonça, que ainda não votou. A entidade alega que a falta de clareza na metodologia abre brecha para sanções e aumenta o risco de ações judiciais por danos morais.

O MTE informou que não vai definir uma metodologia específica. A escolha deve ser feita pela empresa em conjunto com profissionais de saúde e segurança do trabalho. O ministério afirma que os documentos publicados esclarecem as estratégias para se adequar à norma, como a observação do trabalho real e oficinas participativas. A pasta também diz que não impõe uma ferramenta única para evitar um modelo engessado.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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