julho 16, 2026
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PT ataca Flávio com ‘tariflávio’ após tarifaço de Trump

PT ataca Flávio com 'tariflávio' após tarifaço de Trump

O PT planeja intensificar os ataques ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após o anúncio dos EUA de novas tarifas contra produtos brasileiros. O partido do presidente Lula deverá martelar o termo que cunhou para associar o senador às medidas americanas – “tariflávio”– e a pecha de traidor da pátria.

Integrantes do PT também comemoraram o aumento da rejeição do adversário, exposto pela pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (15). A avaliação petista é que essa piora na imagem do senador tem o tarifaço como uma de suas motivações.

A gestão Trump anunciou novas tarifas contra o Brasil após uma investigação sobre práticas comerciais brasileiras. O entorno de Lula avalia que a investigação só foi instaurada para abrir caminho para essas novas tarifas e dava como certa a imposição das sobretaxas.

O tarifaço de Trump se tornou um assunto também de política interna e deverá ser um dos temas mais explorados na campanha eleitoral deste ano. O motivo é a afinidade do bolsonarismo, força política adversária de Lula na eleição, com o presidente dos Estados Unidos.

Em 2025, quando anunciou as primeiras sobretaxas, Trump vinculou a medida ao julgamento que viria condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe. Além disso, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro se mudou para os Estados Unidos, onde diz atuar junto ao governo americano contra a gestão Lula.

Para conter o efeito negativo do tarifaço sobre sua imagem, Flávio Bolsonaro neste mês pediu às autoridades dos EUA que adiassem a decisão sobre as tarifas para depois da eleição, sob o argumento de que a imposição de taxas agora fortaleceria Lula.

Na terça-feira (14), dirigentes petistas discutiram com integrantes do Palácio do Planalto a forma de reagir politicamente às tarifas visando o público interno. A cúpula do partido passou a considerar três cenários: a confirmação do tarifaço, o adiamento da decisão americana (considerado improvável) e a suspensão das tarifas (considerada quase impossível).

No segundo semestre de 2025, depois do primeiro tarifaço, o petista recorreu a um discurso de soberania nacional que ajudou a melhorar sua imagem em pesquisas de avaliação. O presidente agora quer levar esse tom até a eleição.

Aliados de Lula avaliam que o tema é parte de um conjunto de fatos políticos que aumentam a rejeição do eleitorado a Flávio Bolsonaro.

Também estão nesse pacote o caso “Dark Horse” –quando foi divulgado um áudio em que o senador pedia dinheiro ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para produzir um filme sobre seu pai, Jair Bolsonaro– e o vídeo em que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro o critica publicamente.

A pesquisa Quaest divulgada nesta quarta mostra que, de abril para cá, a rejeição do eleitorado a Flávio Bolsonaro aumentou. O percentual que diz conhecer o senador e não votar nele saiu de 52% em abril para 57% em julho, uma variação acima da margem de erro da pesquisa, que é de dois pontos percentuais.

No caso de Lula, a rejeição saiu de 55% para 50% no mesmo período, variação também maior que a margem de erro.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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