julho 5, 2026
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8 em cada 10 empresas sofrem com falta de mão de obra

A dificuldade para preencher vagas de trabalho atinge a grande maioria das empresas no Brasil. De acordo com uma pesquisa da consultoria ManpowerGroup, realizada com 1.020 companhias, oito em cada dez empregadores enfrentam problemas para encontrar profissionais. Esse cenário se repete há cinco anos.

Na Solo Network, empresa paranaense de cibersegurança e inteligência artificial, o quadro de 385 funcionários em modelo híbrido ou remoto nunca está completo. Atualmente, a companhia busca profissionais para 21 vagas, com salários entre R$ 10 mil e R$ 20 mil. As contratações para a área de cibersegurança levam 45 dias, mas as vagas comerciais demoram ainda mais, de dois a três meses para serem preenchidas.

A dificuldade é ainda maior para cargos que exigem nível superior. A consultoria Robert Half calcula que a taxa de desocupação nesse grupo foi de 3,3% no primeiro trimestre do ano, quase metade da taxa geral de desemprego, que foi de 6,1%. Líderes empresariais consideram o problema crônico, que aumenta custos e limita o crescimento dos negócios.

— Os qualificados já estão empregados. Se tivéssemos mais vendedores, teríamos ainda mais entrada no mercado — afirma Zenilda Zanardini, diretora administrativa da Solo Network.

O Brasil é o quarto país entre 42 nações com maior intenção de contratação para o período de julho a setembro, segundo outra pesquisa da ManpowerGroup. Dos 1.080 empregadores entrevistados no país, 52% pretendem ampliar suas equipes.

Setores mais afetados

O problema é maior nos grandes centros e em setores que demandam muita mão de obra, como comércio, tecnologia, saúde e infraestrutura. Na plataforma de vagas Gupy, o varejo concentrou o maior volume de vagas abertas no primeiro semestre, com destaque para supermercados.

A rede mineira de supermercados Verdemar tem 500 vagas abertas, quase 10% do seu total de 5,5 mil funcionários. Faltam operadores de caixa, atendentes de padaria, estoquistas, reposições, embaladores e fiscais.

— Não tem gente para trabalhar em BH. São vagas de primeiro emprego, mas o varejo hoje não é atraente para muita gente — diz Alexandre Poni, sócio e diretor comercial da rede.

Para tentar atrair mais trabalhadores, a Verdemar implementou em oito lojas um acordo sindical com escalas de trabalho que oferecem mais dias de folga. O esquema exige entre 15% e 20% mais empregados por loja, o que aumentou os custos.

A Livraria Leitura, com 136 lojas no país, também enfrenta dificuldades para recrutar, principalmente para cargos de entrada como atendente e assistente de loja. A empresa tem flexibilizado os perfis procurados, contratando pessoas mais velhas. Segundo o sócio André Teles, o número de candidatos por vaga caiu pela metade.

— Era muito comum ter 15 ou 12 candidatos por vaga. Hoje, tem sido a metade — conta Teles.

Estratégias regionais

A mineira AeC, de atendimento ao cliente, começou em 2012 a expandir sua operação para o Nordeste, onde a desocupação é maior. Hoje, a empresa tem 56 mil funcionários, sendo mais de 45 mil na região. O recrutamento é digital, e muitos são atraídos por horários flexíveis e home office.

No setor de petróleo e gás, a escassez de mão de obra também é grave. Segundo a Abespetro, um levantamento com 35 empresas identificou 40 mil vagas abertas em 2024. Em toda a cadeia, a estimativa é de 64 mil vagas.

Para Karen Cubas, gerente da Universidade do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (UNIBP), a escassez passa pela demografia. Profissionais mais velhos estão se aposentando em um momento de expansão acelerada de projetos, acima da capacidade de reposição.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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