agosto 8, 2026
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Estrangeiros dominam quartas da Copa do Brasil e expõem crise de técnicos

Estrangeiros dominam quartas da Copa do Brasil e expõem crise de técnicos

Os treinadores estrangeiros serão maioria nas quartas de final da Copa do Brasil pela primeira vez na história da competição. Dos oito clubes classificados, seis são comandados por técnicos de fora do país. Apenas dois brasileiros seguem na disputa.

Estão classificados com técnicos estrangeiros: Abel Ferreira, no Palmeiras; Artur Jorge, no Cruzeiro; Luís Castro, no Grêmio; Pedro Emanuel, no Vasco; Eduardo Domínguez, no Atlético-MG; e Paulo Pezzolano, no Internacional. Os únicos brasileiros são Jair Ventura, no Vitória, e Cuca, no Santos.

O recorde anterior era das quartas de final de 2024, quando quatro estrangeiros comandavam metade dos classificados. Agora, pela primeira vez, eles são maioria.

A discussão não é sobre ser bom ou ruim para o futebol brasileiro, nem sobre xenofobia. O mercado é livre. Técnicos argentinos, portugueses e uruguaios têm o direito de trabalhar no Brasil, assim como brasileiros atravessam o Atlântico há décadas.

A questão é outra: o futebol brasileiro parou de produzir grandes treinadores na mesma proporção em que revela jogadores. Os estrangeiros não tomaram o espaço dos brasileiros. O espaço estava aberto e eles ocuparam.

O país tem quatro divisões nacionais, dezenas de campeonatos estaduais, centenas de clubes profissionais e muitos treinadores em atividade. Mesmo assim, não surgem novos nomes capazes de assumir os grandes clubes com regularidade.

Filipe Luís é a exceção recente. Ele surgiu no Flamengo, teve sucesso rápido, mostrou ideias modernas e seguiu para o futebol francês. É um dos nomes mais promissores da nova geração, mas ainda é pouco para o tamanho do futebol brasileiro.

Enquanto o Brasil procura o próximo grande treinador, portugueses, argentinos e uruguaios chegam com novas metodologias, conceitos diferentes e equipes próprias de trabalho. Eles conquistam a confiança dos dirigentes.

A Copa do Brasil escancarou essa realidade. Há dois anos, os estrangeiros já eram quatro entre oito. Agora são seis. Não parece mais uma moda. Virou tendência.

A pergunta que o futebol brasileiro precisa fazer não é por que existem tantos estrangeiros trabalhando aqui. A pergunta é: onde estão os novos grandes treinadores brasileiros?

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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